Questoes comentadas/Direito Ambiental

Questao comentada gratuita

Questão comentada sobre Responsabilidade Civil por Danos Ambientais

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

FGV2026MPRJ 2026 - Concurso para Promotor de Justica Substituto - Prova Tipo 1Promotor de Justica Substituto

Enunciado

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro celebra com XPTO Empreendimentos Ltda. um termo de ajustamento de conduta para promover a recuperação ambiental da fazenda de que ele era proprietário. Dez anos depois, sem que nenhuma conduta tenha sido efetivamente adotada, a sociedade teve sua falência decretada. Notificado desse fato, o Ministério Público pediu judicialmente a execução do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). em face de anterior proprietário do terreno. Se verificada a impossibilidade de recuperação plena, desde logo, ele postulará também a conversão da obrigação em perdas e danos. Em embargos, o executado trouxe e comprovou as seguintes teses de defesa: i) sua irresponsabilidade pelos danos ambientais que, embora tenham natureza propter rem, não foram por si causados, na medida em que sua posse cessou antes de eles surgirem; e ii) ainda que assim não fosse, diante da concreta impossibilidade de recuperação ambiental, a conversão em perdas e danos faria surgir direito indenizatório de natureza individual sujeito ao prazo prescricional de cinco anos. O Parquet responde às alegações com as seguintes teses: a) diante da natureza propter rem da obrigação, o nexo causal perfaz - se pela ligação do proprietário – ainda aquele anterior ao dano – ao imóvel; e b) a conversão em perdas e danos faz surgir pretensão estatal, que prescreve em dez anos. Está correto o que se argumenta em

Alternativas

  1. A.
    i, apenas.
  2. B.
    ii e b.
  3. C.
    i e b.
  4. D.
    ii e a.
  5. E.
    a, apenas.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: A tese "i" está correta porque a obrigação propter rem ambiental vincula o proprietário ou possuidor atual, bem como os anteriores que tenham concorrido para o dano. Contudo, o ex-proprietário que alienou o imóvel antes da ocorrência do dano ambiental, e que não concorreu de nenhuma forma para a sua degradação, não possui nexo de causalidade e não pode ser responsabilizado.

Por que as demais estão erradas:
A alternativa A é a correta, pois apenas a tese "i" é juridicamente válida.
A alternativa B está incorreta porque a tese "ii" e a tese "b" versam sobre prazos prescricionais (5 e 10 anos), ignorando que o STF fixou a tese de que a pretensão de reparação civil por danos ambientais é imprescritível (Tema 999).
A alternativa C está incorreta porque a tese "b" do Ministério Público está errada ao defender a prescrição em 10 anos para a conversão em perdas e danos decorrentes de degradação ambiental.
A alternativa D está incorreta porque a tese "a" do MP está errada, pois a natureza propter rem não autoriza a responsabilização de ex-proprietário cuja posse/propriedade cessou antes do surgimento do dano, e a tese "ii" erra sobre a prescrição.
A alternativa E está incorreta porque a tese "a" é juridicamente insustentável, uma vez que o nexo causal exige que o proprietário tenha vínculo com o imóvel ao tempo do dano ou posteriormente, não retroagindo a ex-proprietários sem relação com a degradação.

Base legal

Súmula 623 do STJ; Tema 999 de Repercussão Geral do STF (RE 654.833); Art. 225, § 3º, da Constituição Federal de 1988.