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Questão comentada sobre Entendimento do STJ sobre contratos de plano de saúde

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

Cebraspe2019TJSC 2019 - Concurso para Juiz SubstitutoJuiz Substituto

Enunciado

Considerando o entendimento do STJ acerca da relação do consumidor com as operadoras de plano de saúde, assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A.
    As operadoras de plano de saúde são obrigadas a custear medicamento importado, não nacionalizado, mesmo sem registro pela ANVISA, desde que fundamentadamente receitado pelo médico competente.
  2. B.
    O reajuste de mensalidade de plano de saúde individual ou familiar fundado na mudança de faixa etária do beneficiário é válido, sendo vedado ao Poder Judiciário analisar a sua adequação ou razoabilidade.
  3. C.
    Cirurgia reparadora de mamoplastia, ainda que seja decorrente do tratamento da obesidade mórbida, não poderá ser exigida do plano de saúde se inexistir previsão contratual expressa para sua realização.
  4. D.
    Embora seja abusiva cláusula contratual que preveja a interrupção de tratamento psicoterápico por esgotamento do número de consultas anuais asseguradas pela Agência Nacional de Saúde Complementar, o plano de saúde poderá cobrar coparticipação nas consultas excedentes.
  5. E.
    É válida a cláusula contratual excludente do custeio de medicamento prescrito e ministrado pelo médico em ambiente domiciliar, desde que escrita com destaque, o que permite a imediata e fácil compreensão do consumidor. CEBRASPE – TJSC – Aplicação: 2019

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: D) O STJ entende ser abusiva a limitação do número de sessões de psicoterapia quando necessária à continuidade do tratamento, mas admite a cobrança de coparticipação nas sessões que excederem o mínimo obrigatório previsto pela ANS, desde que observadas as normas regulatórias e a boa-fé contratual.

Por que as demais estao erradas:
A) A alternativa A está errada porque, em regra, a operadora não é obrigada a custear medicamento importado não nacionalizado e sem registro na ANVISA.
B) A alternativa B está errada porque o reajuste por faixa etária pode ser válido, mas o Poder Judiciário pode controlar sua legalidade, adequação e razoabilidade, especialmente para evitar abusividade.
C) A alternativa C está errada porque a cirurgia reparadora decorrente do tratamento de obesidade mórbida pode ser de cobertura obrigatória, por integrar a continuidade do tratamento, não podendo ser afastada apenas pela falta de previsão contratual expressa.
D) A alternativa D está correta pelo entendimento do STJ sobre psicoterapia: é abusiva a interrupção do tratamento por esgotamento do número anual de consultas previsto pela ANS, admitindo-se, contudo, coparticipação nas sessões excedentes.
E) A alternativa E está errada porque a exclusão de medicamento em ambiente domiciliar não é automaticamente válida quando o tratamento domiciliar substitui a internação hospitalar ou integra cobertura obrigatória, hipótese em que a negativa pode ser abusiva.

Base legal

STJ, Súmula 608: aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde, salvo os administrados por entidades de autogestão. STJ, Tema 990/STJ: critérios de validade do reajuste por faixa etária. STJ, entendimento em recursos repetitivos e jurisprudência consolidada sobre planos de saúde: abusividade de cláusulas que limitem indevidamente tratamento prescrito, incluindo sessões de psicoterapia, admitida coparticipação nas sessões excedentes ao mínimo previsto pela ANS. Lei 9.656/1998, arts. 10 e 12; CDC, arts. 6º, III, 47 e 51, IV.