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Questão comentada sobre Desaparecimento forçado na jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

FGV2024ENAM 2024.1 - Exame Nacional da Magistratura - Prova Tipo 1Magistratura

Enunciado

Casos envolvendo o delito de desaparecimento forçado são uma constante na jurisprudência contenciosa da Corte Interamericana de Direitos Humanos, desde a primeira sentença que proferiu no caso Velásquez Rodriguez vs. Honduras, em 1987. O Tribunal reconhece que se trata de violação múltipla aos direitos previstos na Convenção Americana sobre Direitos Humanos. A respeito do tema, analise as afirmativas a seguir. I. Segundo o entendimento da Corte IDH, o crime de desaparecimento forçado é um crime permanente q ue se prolonga no tempo até que o Estado comprove que o desaparecido já morreu. II. A proibição do desaparecimento forçado possui status de ius cogens. III. A Corte IDH reconhece o direito autônomo dos familiares a conhecer a verdade, que compreende não ap enas as obrigações estatais derivadas dos artigos 8 e 25 da Convenção, mas também o direito de acesso à informação prescrito no Art. 13.1. Está correto o que se afirma em

Alternativas

  1. A.
    I, apenas.
  2. B.
    I e II, apenas.
  3. C.
    I e III, apenas.
  4. D.
    II e III, apenas.
  5. E.
    I, II e III.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: alternativa D) II e III, apenas.

A afirmativa II está correta porque a Corte Interamericana de Direitos Humanos reconhece que a proibição do desaparecimento forçado de pessoas alcançou o status de norma imperativa de Direito Internacional geral, isto é, ius cogens, dada a gravidade da prática e sua incompatibilidade absoluta com a proteção internacional da pessoa humana.

A afirmativa III também está correta. A Corte IDH reconhece o direito dos familiares das vítimas de desaparecimento forçado de conhecer a verdade sobre o ocorrido, abrangendo não apenas as garantias judiciais e a proteção judicial previstas nos arts. 8 e 25 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, mas também o direito de buscar e receber informações, previsto no art. 13.1 da Convenção.

Por que as demais estão erradas:

A alternativa A está errada porque considera correta apenas a afirmativa I. A afirmativa I é incorreta: o desaparecimento forçado é, de fato, uma violação de caráter permanente ou continuado, mas sua permanência se prolonga enquanto não se conhece o paradeiro da vítima ou não se esclarece efetivamente seu destino, e não simplesmente até que o Estado comprove que o desaparecido morreu. A formulação da assertiva restringe indevidamente o entendimento da Corte IDH.

A alternativa B está errada porque inclui a afirmativa I, que é incorreta, embora a afirmativa II esteja correta.

A alternativa C está errada porque inclui a afirmativa I, incorreta, embora a afirmativa III esteja correta.

A alternativa E está errada porque afirma que I, II e III estão corretas, mas a afirmativa I não corresponde adequadamente à jurisprudência interamericana sobre a natureza permanente do desaparecimento forçado.

Base legal

Convenção Americana sobre Direitos Humanos, arts. 8, 13.1 e 25; Convenção Interamericana sobre Desaparecimento Forçado de Pessoas; Corte IDH, Caso Velásquez Rodríguez vs. Honduras; Corte IDH, Caso Gomes Lund e outros vs. Brasil, entendimento sobre desaparecimento forçado como violação múltipla e continuada, proibição com caráter de ius cogens e direito dos familiares à verdade.