Questoes comentadas/Estatuto da Criança e do Adolescente

Questao comentada gratuita

Questão comentada sobre Adoção e Entrega Voluntária

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

FGV2026MPMT 2026 - Concurso para Promotor de Justica Substituto - Prova Tipo 1Promotor de Justica Substituto

Enunciado

Gisele decidiu entregar seu filho recém - nascido para adoção de forma voluntária, optando pelo sigilo quanto ao nascimento e à identidade do pai, além de não informar à família biológica ou extensa sobre a entrega. O juízo da Vara da Infância e da Juventude homologou a renúncia ao poder familiar materno e determinou o encaminhamento da criança para adoção por pretendentes regularmente cadastrados no Sistema Nacional de Adoção (SNA), garantindo também o sigilo sobre a entrega voluntária. Considerando o caso hipotético narrado, a legislação aplicável e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A.
    O membro do Ministério Público, nessa situação, deverá interpor agravo de instrumento, argumentando que, apesar da manifestaçã o da genitora em manter o anonimato, o sigilo não deveria se estender à família extensa, sendo ainda necessária a prévia verificação da existência de familiares aptos a assumir a guarda da criança antes do encaminhamento à adoção.
  2. B.
    A mãe que opta por en tregar o filho para adoção tem o direito garantido ao sigilo sobre o nascimento, seja antes ou logo após o parto, sendo encaminhada à Justiça da Infância e da Juventude. De acordo com o art. 5º da Resolução nº 485/2023 do Conselho Nacional de Justiça, esse sigilo deve ser estendido aos membros da família biológica, mas não ao pai registral ou indicado, que também deverá obrigatoriamente se manifestar.
  3. C.
    A mãe que opta por entregar o filho para adoção tem garantido o direito ao sigilo sobre o nascimento, s eja antes ou logo após o parto, sendo encaminhada à Justiça da Infância e da Juventude. De acordo com o art. 5º da Resolução nº 485/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), esse sigilo deve ser estendido aos membros da família biológica e ao pai indica do, a fim de respeitar prioritariamente a vontade da gestante.
  4. D.
    O direito ao sigilo é assegurado à gestante, criança ou adolescente, inclusive em relação aos seus genitores, devendo, nesse caso, ser representada pelo Ministério Público ou por advogado a ela nomeado.
  5. E.
    Nos termos da legislação de regência, o direito da gestante ao sigilo sobre o nascimento é amplo, e exclui o conhecimento da origem genética pela criança que foi entregue à adoção, sendo o anonimato da parturiente inteiramente preservado. GRUPO 3 D ireito Penal

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: A alternativa C está correta porque está em perfeita consonância com o art. 5º da Resolução nº 485/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que garante à gestante ou parturiente o direito ao sigilo sobre o nascimento na entrega voluntária, estendendo expressamente esse sigilo aos membros da família biológica e ao pai indicado para resguardar sua vontade.

Por que as demais estão erradas:
A) A alternativa A está incorreta porque o Ministério Público não deve afastar o sigilo garantido por lei à gestante para buscar a família extensa, uma vez que a legislação prioriza a manifestação de vontade da genitora quanto ao anonimato.
B) A alternativa B está incorreta ao afirmar que o sigilo não se estende ao pai indicado, contrariando diretamente o art. 5º da Resolução nº 485/2023 do CNJ, que inclui o pai indicado na extensão do sigilo.
D) A alternativa D está incorreta porque desvirtua as regras de representação processual e o escopo do direito ao sigilo da entrega voluntária previstos no ECA e nos normativos do CNJ.
E) A alternativa E está incorreta porque o direito ao sigilo da parturiente não exclui o direito do adotado de conhecer sua origem genética após atingir a maioridade civil, conforme assegurado pelo art. 48 do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Base legal

Artigo 19-A da Lei nº 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA) e Artigo 5º da Resolução nº 485/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).