Enunciado
Segundo Kant, em seu livro Fundamentação da Metafísica dos Costumes, cada indivíduo, como ser moral, possui uma dignidade que lhe é própria. Assinale a afirmativa que, segundo Kant, no livro em referência, mostra como a dignidade deve ser entendida.
Alternativas
- A.Como o conjunto dos direitos fundamentais que devem ser assegurados pelo Estado e que permitem a cada indivíduo o exercício de sua plena cidadania.
- B.Como o valor moral da humanidade que, por isso mesmo, deve ser sempre posto em cálculo ou confronto com qualquer coisa que possua um preço, a fim de se verificar o que deve prevalecer.
- C.Como o valor do trabalho livre de uma person no processo de transformação da natureza em bens de consumo úteis à existência e ao desenvolvimento econômico e moral da sociedade.
- D.Como aquilo que não possui um preço – valor relativo –, mas um valor íntimo, ou seja, uma condição graças à qual algo deve ser considerado um fim em si mesmo.
Gabarito: alternativa correta destacada.
Comentario
Na obra Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Immanuel Kant estabelece as bases da sua filosofia moral, centrada na autonomia da vontade e no imperativo categórico.
Análise das alternativas:
Análise das alternativas:
- Opção D (Correta): Kant distingue as coisas que têm preço (valor relativo, passível de troca) das que têm dignidade (valor intrínseco e absoluto). A dignidade é a qualidade do ser humano que o impede de ser tratado meramente como um meio para atingir fins alheios; o homem é, por definição, um fim em si mesmo.
- Opção A (Incorreta): Embora a dignidade fundamente os direitos fundamentais modernos, a definição de Kant é de natureza ética e metafísica, não se limitando ao reconhecimento político ou estatal da cidadania.
- Opção B (Incorreta): Kant afirma exatamente o oposto: a dignidade não pode ser objeto de cálculo, troca ou confronto com o preço. Ela é inestimável e incomparável.
- Opção C (Incorreta): Esta visão vincula o valor humano à utilidade econômica ou ao trabalho produtivo, o que reduziria o homem a um instrumento de produção, violando o conceito kantiano de dignidade como valor inerente ao ser moral.