Questoes comentadas/Língua Portuguesa

Questao comentada gratuita

Questão comentada sobre Concordância verbal

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

Cebraspe2026Prefeitura de Porto Velho 2026 - Concurso para Procurador do Município - Prova Preambular (Objetiva)Procurador do Município

Enunciado

Texto 1A16 A ética climática pode ser definida como o ramo de conhecimento que examina os fundamentos morais e os princípios de justiça relacionados às mudanças climáticas e suas consequências, abrangendo questões de equidade intra e intergeracional, justiça ambiental e responsabilidade diferenciada entre nações. Esse campo de estudo procura resolver dilemas morais complexos, como a distribuição justa dos custos e benefícios das ações climáticas, a proteção de populações vulneráveis contra desastres climáticos e a alocação de responsabilidades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Tendo em vista essa disparidade econômico-regional e a vulnerabilidade por ela gerada, em 2001 as 194 partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) decidiram criar o Fundo para os Países Menos Desenvolvidos (LDCF) — um dos únicos mecanismos dessa natureza dedicado a ajudar os países a se adaptarem às novas realidades climáticas. O LDCF, juntamente com o Fundo Especial para a Mudança do Clima (SCCF), deve servir ao Acordo de Paris. Ambos os fundos são geridos pelo Fundo Global para o Meio Ambiente. No âmbito da hermenêutica jurídica, a ética climática pode ser instrumental na interpretação e na aplicação do direito para a resolução de casos concretos que chegam ao Poder Judiciário. Ao interpretar normas ambientais ou decidir sobre litígios que envolvem questões climáticas, os intérpretes podem, ainda, fazer a vinculação conceitual com o princípio da precaução, que sugere a adoção de medidas preventivas diante de riscos de danos graves ou irreversíveis, mesmo na ausência de certeza científica plena. Esse princípio está alinhado com a ideia de justiça intergeracional, que busca garantir que as gerações futuras tenham acesso a um ambiente seguro e saudável. Além disso, a consideração da justiça ambiental pode levar à adoção de decisões que priorizem a proteção das populações mais vulneráveis, frequentemente as mais afetadas por eventos climáticos extremos, como secas, inundações e ondas de calor. A hermenêutica jurídica também pode incorporar a noção de responsabilidades comuns, mas diferenciadas, reconhecendo que os países desenvolvidos, por terem historicamente contribuído mais para a emissão de gases de efeito estufa, têm uma responsabilidade maior em mitigar os efeitos das mudanças climáticas e ajudar financeiramente os países em desenvolvimento a lidar com esses desafios. Esse também foi o expresso pensamento de Al Gore quando declarou, em 2006, que as mudanças climáticas “não são tanto um problema político quanto o é uma questão ética”, destacando a necessidade de que os países mais desenvolvidos economicamente assumam responsabilidade por essas demandas. Estudos apontam também que é um problema de difícil mensuração, solução e articulação, uma vez que envolve nações independentes e controvérsias de natureza científica, econômica, legal e de relações internacionais. Não obstante o conceito de ética no âmbito das relações internacionais, é possível interpretar também a ética da vulnerabilidade de pessoas e comunidades que sejam mais suscetíveis aos efeitos climáticos. Há iniciativas, inclusive, que buscam apurar tais vulnerabilidades com base em critérios objetivos, como o índice de vulnerabilidade climática, que algumas cidades e municípios brasileiros têm adotado. Revista CNJ, v. 8, n.º 1, jul. – dez./2024. Internet: (com adaptações). Em “Há iniciativas, inclusive, que buscam apurar tais vulnerabilidades” (último parágrafo do texto 1A16), a forma verbal “Há” poderia ser substituída, sem prejuízo da correção gramatical, por

Alternativas

  1. A.
    Existe.
  2. B.
    Existem.
  3. C.
    Acontece.
  4. D.
    Ocorre.
  5. E.
    Têm.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: A alternativa B está correta porque "haver", no sentido de existir, é impessoal e fica no singular ("Há iniciativas"). Ao trocá-lo por "existir", que é pessoal, "iniciativas" passa a ser o sujeito e o verbo vai para o plural: "Existem iniciativas, inclusive, que buscam apurar tais vulnerabilidades".

Por que as demais estão erradas:
A) A alternativa A está incorreta porque "existir" concorda com o sujeito "iniciativas"; o singular "Existe" cria erro de concordância.
C) A alternativa C está incorreta porque "Acontece" muda o sentido (acontecer é ocorrer, suceder, e não existir) e ainda erra a concordância com "iniciativas".
D) A alternativa D está incorreta porque "Ocorre" também muda o sentido e erra a concordância, pois "ocorrer" é pessoal e deveria concordar com "iniciativas".
E) A alternativa E está incorreta porque o emprego de "ter" com sentido de existir é próprio da linguagem coloquial e não é aceito pela norma-padrão. Nesse uso, "ter" seria impessoal e ficaria no singular, de modo que a forma plural "Têm" também está inadequada.

Base legal

Fundamento: Texto 1A16 (Revista CNJ, v. 8, n. 1, jul.–dez. 2024, com adaptações) e norma-padrão da língua portuguesa

"Há iniciativas, inclusive, que buscam apurar tais vulnerabilidades com base em critérios objetivos, como o índice de vulnerabilidade climática, que algumas cidades e municípios brasileiros têm adotado."
"Haver" (existir) é impessoal; "existir" é pessoal e concorda com o sujeito: "Existem iniciativas".