Questoes comentadas/Língua Portuguesa

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Questão comentada sobre Língua Portuguesa

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Cebraspe2023Policia Civil de PernambucoEscrivao de Policia

Enunciado

No segundo período do último parágrafo do palavra “minada” corresponde a uma forma de particípio do verbo minar, que, nesse contexto, tem o mesmo significado de

Alternativas

  1. A.
    brotar.
  2. B.
    prejudicar.
  3. C.
    fomentar.
  4. D.
    despontar.
  5. E.
    irromper.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: B) prejudicar. O significado do verbo minar compatível com o texto é “prejudicar ocultamente, insidiosamente; solapar”, conforme dicionários da língua portuguesa.

Por que as demais estão erradas:

A) brotar. O significado do verbo minar compatível com o texto é “prejudicar ocultamente, insidiosamente; solapar”, conforme dicionários da língua portuguesa. O verbo brotar, por sua vez, significa “originar-se; provir”.

C) fomentar. O significado do verbo minar compatível com o texto é “prejudicar ocultamente, insidiosamente; solapar”, conforme dicionários da língua portuguesa. O verbo fomentar, por sua vez, significa “estimular, promover”.

D) despontar. O significado do verbo minar compatível com o texto é “prejudicar ocultamente, insidiosamente; solapar”, conforme dicionários da língua portuguesa. O verbo despontar, por sua vez, significa “começar a aparecer, a revelar-se; surgir, nascer, brotar”.

E) irromper. O significado do verbo minar compatível com o texto é “prejudicar ocultamente, insidiosamente; solapar”, conforme dicionários da língua portuguesa. O verbo irromper, por sua vez, significa “aparecer ou mostrar-se de repente; brotar, romper”.*/ -- 3 of 16 -- Desse antigo verão que me alterou a vida restam ligeiros traços apenas. (...) Sem dúvida as árvores se despojaram e enegreceram, o açude estancou, as porteiras dos currais se abriram, inúteis. É sempre assim. Contudo, ignoro se as plantas murchas e negras foram vistas nessa época ou em secas posteriores, e guardo na memória um açude cheio, coberto de aves brancas e de flores. (...) O meu verão é incompleto. O que me deixou foi a lembrança de importantes modificações nas pessoas. De ordinário pachorrentas, azucrinaram-se como tanajuras, zonzas. Findaram as longas conversas no alpendre, as visitas, os risos sonoros, os negócios lentos; surgiram rostos sombrios e rumores abafados. Enorme calor, nuvens de poeira. E no calor e na poeira, homens indo e vindo sem descanso, molhados de suor, aboiando monotonamente. (...) Um dia faltou água em casa. Tive sede e recomendaram-me paciência. A carga de ancoretas chegaria logo. Tardou, a fonte era distante — e fiquei horas numa agonia, rondando o pote, com brasas na língua. (...) Chorei, embalei-me nas consolações, e os minutos foram pingando vagarosos. A boca enxuta, os beiços gretados, os olhos turvos, queimaduras interiores (...) E em redor os objetos se deformavam, trêmulos. Veio a imobilidade, veio o esquecimento. Não sei quanto durou o suplício. (...) Espanto, e enorme, senti ao enxergar meu pai abatido na sala, o gesto lento. Habituara-me a vê-lo grave, silencioso, acumulando energia para gritos medonhos. Os gritos vulgares perdiam-se; os dele ocasionavam movimentos singulares: as pessoas atingidas baixavam a cabeça, humildes, ou corriam a executar ordens. Eu era ainda muito novo para compreender que a fazenda lhe pertencia. Notava diferenças entre os indivíduos que se sentavam nas redes e os que se acocoravam no alpendre. O gibão de meu pai tinha diversos enfeites; no de Amaro havia numerosos buracos e remendos. As nossas roupas grosseiras pareciam-me luxuosas comparadas à chita de sinhá Leopoldina, à camisa de José Baía, sura, de algodão cru. (...) Meu pai era terrivelmente poderoso, e essencialmente poderoso. Não me ocorria que o poder estivesse fora dele, de repente, o abandonasse, deixando-o fraco e normal, um gibão roto sobre a camisa curta. Graciliano Ramos. Infância. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2022, p. 29-33 (com adaptações).

Base legal

6.Significação das palavras..