Enunciado
Leia o texto a seguir para responder às questões de 96 a 100: Os tambores da guerra O ano de 2026 provavelmente não será lembrado como o ano em que o mundo entrou em guerra, mas talvez o seja como aquele em que a guerra deixou de causar espanto. O perigo maior não é a eclosão de um conflito específico, e sim a naturalização da violência como método recorrente de governo, coerção e ordenamento global. O mundo pode não estar à beira de uma Terceira Guerra Mundial – embora esteja mais próximo do que nunca –, mas parece ter se acomodado a um estado de tensão permanente. A guerra de atrito na Ucrânia continua a consumir homens e munições – com Moscou testando os nervos da Otan por meios híbridos, de sabotagens a violações de espaço aéreo. No Oriente Médio, o cessar-fogo em Gaza não eliminou a instabilidade regional: a pressão sobre a Cisjordânia cresce, a ajuda segue politizada, e o papel do Irã como potência revisionista permanece um ponto de fricção, com repercussões sobre Israel, o Golfo e rotas marítimas. Na África, o Sahel virou laboratório de jihadismo e colapso estatal, enquanto o Sudão, sob disputa de potências regionais, permanece como moedor de gente e usina de refugiados. Mesmo fora de zonas clássicas de guerra, a violência organizada avança: no México, no Brasil e em outras partes da América Latina, a sofisticação de narcomilícias e as disputas intestinas transformam cidades em frentes de batalha. O que chama a atenção não é só a quantidade de guerras, mas a sua duração, sua fragmentação e a relativa indiferença que despertam. Estados, milícias, cartéis e proxies recorrem à força não como último recurso, mas como instrumento regular de política. A violência deixou de ser exceção; tornou-se linha de base. Essa proliferação desafia leituras simplistas. Os conflitos do nosso tempo parecem se organizar não tanto segundo choques claros entre civilizações, como vaticinou Samuel Huntington, mas dentro de mundos culturais, religiosos ou políticos aparentados – conflitos contra o “desvio”: o vizinho que escolheu outro caminho, o aliado que virou herege, o “inimigo interno”. Isso ajuda a explicar alianças paradoxais, antagonismos internos e a fluidez desconcertante do sistema internacional atual, do Mar Negro ao Mar do Sul da China, passando pela aliança atlântica. Um mundo que se acostuma à guerra é um mundo mais vulnerável ao erro irreversível. É isso – mais do que qualquer confronto isolado – que deveria concentrar a atenção de governos, alianças e sociedades no ano que começa. (O Estado de S.Paulo, Editorial, 03.01.2026. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao. Adaptado) Pergunta: Assinale a alternativa em que o emprego dos verbos e dos pronomes está em conformidade com a norma-padrão.
Alternativas
- A.México, Brasil e outras partes da América Latina vêm as suas cidades à mercê da sofisticação de narcomilícias e das disputas intestinas, que convertem elas em frentes de batalha.
- B.A atenção de governos, alianças e sociedades no ano que começa deveria concentrar-se nos possíveis erros irreversíveis desse mundo acostumado à guerra, tentando, assim, evitar-lhes.
- C.No Oriente Médio, ainda que se tenha pedido o cessar-fogo em Gaza, permanece a instabilidade regional, expondo as pessoas à violência, a qual frequentemente lhes retira a vida.
- D.Provavelmente o ano de 2026 não será lembrado pelas pessoas como o ano em que o mundo entrou em guerra, mas talvez lhe veem como aquele em que a guerra deixou de causar espanto.
- E.Quando fazermos uma reflexão sobre os conflitos do nosso tempo, vamos entendê-los não tanto como choques claros entre civilizações, mas como conflitos decorrentes do “desvio”.
Gabarito: alternativa correta destacada.