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Questão comentada sobre Nulidades no processo penal segundo os tribunais superiores

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

Cebraspe2018TJBA 2018 - Concurso para Juiz SubstitutoJuiz Substituto

Enunciado

Acerca de nulidades no processo penal, assinale a opção correta, de acordo com o entendimento dos tribunais superiores.

Alternativas

  1. A.
    A incompetência rationae materiae é causa de nulidade absoluta e, por isso, os atos decisórios praticados por juiz incompetente não poderão ser ratificados.
  2. B.
    A nulidade do julgamento de processo em órgão colegiado do qual tenha participado magistrado impedido dependerá da possibilidade de mudança no resultado do julgamento, com a subtração do voto desse magistrado.
  3. C.
    A identificação de causa de suspeição de promotor de justiça implicará nulidade absoluta, razão pela qual a sua consequente alegação não é passível de preclusão.
  4. D.
    A denúncia apresentada com ofensa ao princípio do promotor natural será nula e não poderá ser ratificada.
  5. E.
    A formulação de perguntas pelo juiz com a inversão do rito previsto no art. 212 do CPP é causa de nulidade que independe da demonstração de prejuízo.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: B) Segundo os tribunais superiores, a participação de magistrado impedido em órgão colegiado não gera nulidade automática se, excluído o seu voto, o resultado do julgamento permanecer inalterado, aplicando-se a regra do prejuízo.

Por que as demais estão erradas:
A) Embora a incompetência ratione materiae seja causa de nulidade absoluta, a jurisprudência admite, em determinadas hipóteses, a ratificação dos atos decisórios pelo juízo competente, não sendo correto afirmar impossibilidade absoluta de ratificação.
C) A suspeição de promotor de justiça não implica, por si só, nulidade absoluta imune à preclusão; exige alegação oportuna e demonstração de prejuízo.
D) A ofensa ao princípio do promotor natural não torna necessariamente irratificável a denúncia, pois os tribunais admitem convalidação/ratificação pelo órgão ministerial com atribuição.
E) A inversão da ordem do art. 212 do CPP na formulação de perguntas configura nulidade relativa, dependente de arguição oportuna e demonstração de prejuízo.

Base legal

CPP, arts. 212, 563, 564, I, e 567; princípio pas de nullité sans grief. Entendimento do STF e do STJ: nulidades processuais penais, inclusive por participação de julgador impedido em colegiado ou inversão do rito do art. 212 do CPP, exigem demonstração de prejuízo quando o resultado não se altera ou quando se trata de nulidade relativa.