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Questão comentada sobre Meios de prova no processo penal

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

Cebraspe2015TJAM 2015 - Concurso para Juiz SubstitutoJuiz Substituto

Enunciado

Acerca dos meios de prova no processo penal, assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A.
    A interceptação telefônica é medida subsidiária e excepcional, só podendo ser determinada quando não houver outro meio para se apurar os fatos tidos por criminosos, sendo ilegal quando for determinada apenas com base em notícia anônima, sem investigação preliminar.
  2. B.
    A competência para autorizar a interceptação telefônica é exclusiva do juiz criminal, caracterizando prova ilícita o aproveitamento da diligência como prova emprestada a ser utilizada pelo juízo cível ou em processo administrativo.
  3. C.
    De acordo com o STJ, o prazo de quinze dias é contado a partir da data da decisão judicial que autoriza a interceptação telefônica e pode ser prorrogado sucessivas vezes pelo tempo necessário, especialmente quando o caso for complexo e a prova, indispensável.
  4. D.
    Em regra, o CPP estabelece que o interrogatório do réu preso será feito pelo sistema de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real. Não sendo isso possível por falta de disponibilidade do recurso tecnológico, o preso será apresentado em juízo, mediante escolta.
  5. E.
    A busca domiciliar poderá ser feita sem autorização do morador, independentemente de dia e horário, no caso de a autoridade judiciária comparecer pessoalmente para efetivar a medida, devendo esta declarar previamente sua qualidade e o objeto da diligência.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: A) A interceptação telefônica é providência excepcional e subsidiária, pois só cabe quando houver indícios razoáveis de autoria ou participação, a infração for punida com reclusão e a prova não puder ser feita por outros meios; além disso, denúncia anônima isolada não autoriza a medida sem diligências preliminares de verificação.

Por que as demais estao erradas: B) A alternativa B erra ao afirmar que seria ilícito o uso da interceptação como prova emprestada no juízo cível ou administrativo; a jurisprudência admite o compartilhamento, desde que a interceptação tenha sido validamente autorizada e observadas as garantias processuais. C) A alternativa C está incorreta porque, no entendimento jurisprudencial, o prazo da interceptação é contado a partir do início efetivo da diligência, e não necessariamente da data da decisão judicial autorizadora. D) A alternativa D está errada porque o CPP prevê o interrogatório por videoconferência como medida excepcional e fundamentada, não como regra para o réu preso. E) A alternativa E está incorreta porque a busca domiciliar, sem consentimento do morador, deve observar as restrições constitucionais, em especial a necessidade de ordem judicial e o cumprimento durante o dia, salvo hipóteses excepcionais como flagrante delito, desastre ou socorro.

Base legal

Lei nº 9.296/1996, arts. 1º, 2º e 5º; Constituição Federal, art. 5º, XI e XII; CPP, arts. 185, § 2º, e 240 a 245. Jurisprudência do STF e do STJ: a interceptação telefônica é medida excepcional e subsidiária, não podendo ser deferida com base apenas em denúncia anônima sem investigação preliminar; admite-se o compartilhamento de prova obtida validamente em interceptação com esferas cível e administrativa, observadas as garantias do contraditório.