Enunciado
O Ministério Público do Estado Alfa recebeu representação de entidades que zelam pelos direitos de crianças com deficiência ou mobilidade reduzida, informando que a maior rede de supermercados do Estado vinha reiteradamente descumprindo os termos da Lei Estadual nº X. De acordo com esse diploma normativo, é obrigatória a adaptação de 5% dos carrinhos de compras para o transporte de crianças nas referidas condições. Instada a se manifestar, a rede de supermercados argumentou que a Lei Estadual nº X é uma “não lei”, por ser manifestamente inconstitucional. Ao analisar o caso, o órgão de execução com atribuição concluiu corretamente que a Lei Estadual nº X é
Alternativas
- A.constitucional, desde que haja lei complementar da União autorizando a sua edição.
- B.inconstitucional, pois afrontou a competência legislativa privativa da União para legislar sobre a temática.
- C.constitucional, por refletir o exercício de competência legislativa concorrente, além de se mostrar proporcional.
- D.inconstitucional, na medida em que as adaptações exigidas pela ordem constitucional em prol das pessoas com deficiência estão adstritas aos logradouros, não alcançando bens móveis.
- E.inconstitucional, pois afrontou a livre iniciativa e impôs despesas à iniciativa privada no exercício de atividade econômica em sentido estrito, sem indicação de fonte de custeio.
Gabarito: alternativa correta destacada.
Comentario
Por que as demais estão erradas:
A alternativa A está incorreta porque a autorização por lei complementar da União é exigência restrita à delegação de competência privativa (Art. 22, parágrafo único, CF/88), o que não se aplica à competência concorrente.
A alternativa B está incorreta pois a matéria não é de competência legislativa privativa da União, mas sim concorrente, legitimando a atuação do Estado membro.
A alternativa D está incorreta porque as garantias de acessibilidade e proteção às pessoas com deficiência não se limitam aos logradouros públicos, estendendo-se a bens móveis e estabelecimentos privados de atendimento ao público.
A alternativa E está incorreta porque o princípio da livre iniciativa não é absoluto e deve se harmonizar com a função social da propriedade e a proteção das pessoas com deficiência, não havendo que se falar em necessidade de fonte de custeio público para tal obrigação.