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Questão comentada sobre Proteção constitucional à maternidade em contrato temporário com a Administração Pública

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

FGV2024TJPE 2024 - Concurso para Juiz Substituto - Prova Tipo 1Juiz Substituto

Enunciado

Maria celebrou contrato temporário com o município Alfa. No fim do penúltimo mês de contrato, descobriu que estava grávida. Em razão de certos asp ectos fisiológicos decorrentes da gravidez, passou a se ausentar com maior frequência do ambiente de trabalho, de modo a buscar amparo médico, contando ainda com o total apoio do seu superior hierárquico imediato. Ao fim do contrato, quando ainda estava gr ávida, Maria foi desligada, o que a levou a ingressar com ação judicial para que fosse reconhecida a injuridicidade do seu desligamento. O órgão jurisdicional observou corretamente que Maria:

Alternativas

  1. A.
    não tem o direito de permanecer vinculada a Alfa, consideran do a necessidade de ser observado o ato jurídico perfeito;
  2. B.
    tem o direito ao gozo de licença - maternidade e à estabilidade provisória, embora o seu regime seja contratual, de prazo determinado;
  3. C.
    somente tem o direito à integralidade da licença - maternidade, não à estabilidade provisória após o exaurimento do contrato por prazo determinado;
  4. D.
    tem o direito de ter renovado o contrato por prazo determinado por igual período, observado o limitador temporal de ordem constitucional;
  5. E.
    somente tem o direito de receber, em pecúnia, o auxílio - maternidade, quer sua relação funcional seja regida pela Consolidação das Leis do Trabalho, quer seja regida por regime próprio.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: A alternativa B está correta, pois a trabalhadora gestante, ainda que vinculada à Administração Pública por contrato temporário ou por prazo determinado, tem direito à licença-maternidade e à estabilidade provisória desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.

Por que as demais estão erradas:

A) A alternativa A está errada porque a proteção constitucional à maternidade e ao nascituro prevalece sobre a simples alegação de término do contrato como ato jurídico perfeito.

B) A alternativa B está correta porque o STF reconhece a estabilidade provisória e a licença-maternidade também às gestantes contratadas temporariamente pela Administração Pública.

C) A alternativa C está errada porque limita indevidamente a proteção à licença-maternidade, excluindo a estabilidade provisória, que também é assegurada.

D) A alternativa D está errada porque o direito não é propriamente à renovação do contrato por igual período, mas à proteção estabilitária constitucional, com manutenção do vínculo ou indenização correspondente.

E) A alternativa E está errada porque não se trata apenas de auxílio-maternidade em pecúnia; há direito à licença-maternidade e à estabilidade provisória, independentemente do regime jurídico aplicável.

Base legal

Constituição Federal, art. 7º, XVIII, e art. 39, § 3º; ADCT, art. 10, II, b. STF, Tema 542 de repercussão geral: a trabalhadora gestante, inclusive ocupante de cargo em comissão ou contratada temporariamente pela Administração Pública, tem direito à licença-maternidade e à estabilidade provisória, independentemente do regime jurídico aplicável.