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Questão comentada sobre Crimes contra a honra: difamação e exceção da verdade

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

FGV2026ENAM 2026.1 - Exame Nacional da Magistratura - Prova Tipo 1Magistratura

Enunciado

Matheus, agindo com dolo, difamou João, funcionário público e seu vizinho, imputando - lhe fato ofensivo à sua reputação na presença de várias pessoas. Irresignado com a situação apresentada, João pretende responsabilizar, penalmente, o ofensor. Por outro lado, Matheus vem confidenciando a amigos próximos que tem como comprovar que os fatos alegados são verdadeiros, motivo pelo qual não há motivo para maiores preocupações. Registre - se, por fim, que a difamação não teve relação com o exercício da função pública de João. Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que a exceção da verdade

Alternativas

  1. A.
    não é cabível, pois, ainda que João seja funcionário público, a difamação não teve qualquer relação com as funções por ele exercidas.
  2. B.
    não é cabível, já que o referido instituto tem aplicabilidade restrita aos crimes de calúnia e de injúria.
  3. C.
    é cabível, já que a difamação foi praticada contra João, que é funcionário público.
  4. D.
    é cabível, já que o crime de difamação admite, em geral, a exceção da verdade.
  5. E.
    é cabível, já que a difamação foi praticada na presença de várias pessoas.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: A) Na difamação, a exceção da verdade só é admitida se o ofendido for funcionário público e a ofensa disser respeito ao exercício de suas funções; como a imputação não teve relação com a função pública de João, o instituto não é cabível.

Por que as demais estão erradas:

B) Errada, pois a exceção da verdade não é restrita à calúnia: ela também pode ser admitida na difamação, na hipótese específica prevista no art. 139, parágrafo único, do Código Penal.

C) Errada, porque não basta que a vítima seja funcionário público; é necessário que a difamação envolva fato relacionado ao exercício de suas funções.

D) Errada, pois a regra na difamação é a inadmissibilidade da exceção da verdade, salvo quando o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício funcional.

E) Errada, porque a presença de várias pessoas pode repercutir na divulgação da ofensa, mas não torna cabível a exceção da verdade na difamação.

Base legal

Código Penal, art. 139, caput e parágrafo único: a difamação consiste em imputar fato ofensivo à reputação de alguém; a exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.