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Questão comentada sobre Medidas Assecuratórias

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

FGV2025TJCE 2025 - Concurso para Juiz Substituto - Prova Tipo 1Juiz Substituto

Enunciado

No curso de uma investigação que apura um complexo esquema de crimes que resultaram em prejuízo para a Fazenda Pública e lavagem de dinheiro supostamente operado por Mévio, empresário individual, a autoridade policial representou pela decretação de medidas assecuratórias sobre diversos bens, incluindo um imóvel de alto valor registrado em nome da pessoa jurídica Alfa Empreendimentos Ltda. Embora a sociedade empresária Oivém não figure formalmente como investigada no inquérito policial, foram apresentados robustos indícios de que a pessoa jurídica foi constituída e utilizada por Mévio especificamente para ocultar e dissimular a origem ilícita de valores provenientes de crimes antecedentes, sendo o imóvel adquirido com tais recursos. A defesa da sociedade Alfa Empreendimentos Ltda. opôs-se à medida, argumentando que (i) a pessoa jurídica não é investigada; (ii) não houve instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica; e (iii) a constrição sobre bens de pessoa jurídica estranha à investigação configuraria uma violação ao princípio da intranscendência da pena. Sobre as medidas assecuratórias em crimes que resultam em prejuízo à Fazenda Pública e de lavagem de dinheiro, considerando a situação hipotética e a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ), assinale a opção que apresenta a decisão judicial correta a ser tomada em relação ao pedido de constrição sobre o imóvel registrado em nome da Alfa Empreendimentos Ltda.

Alternativas

  1. A.
    Indeferir o pedido de medida assecuratória sobre o imóvel, pois os bens de pessoa jurídica somente podem ser objeto de constrição se a própria empresa figurar como investigada ou ré na ação penal, o que não ocorre no caso.
  2. B.
    Indeferir o pedido de medida assecuratória sobre o imóvel, pois a constrição de bens registrados em nome de pessoa jurídica exige a prévia instauração e decisão favorável em incidente de desconsideração da personalidade jurídica, conforme o Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente.
  3. C.
    Deferir o pedido de medida assecuratória (sequestro/indisponibilidade) sobre o imóvel, pois, havendo indícios veementes de que a pessoa jurídica foi utilizada como instrumento para a prática de crimes que resultam em prejuízo para a fazenda pública e ocultação de ativos ilícitos, a constrição pode recair sobre seu patrimônio, independentemente da instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica.
  4. D.
    Deferir o pedido de medida assecuratória sobre o imóvel, mas somente após o recebimento da denúncia contra Mévio, pois as medidas assecuratórias que atingem bens de terceiros só podem ser decretadas na fase processual e não durante o inquérito policial.
  5. E.
    Deferir o pedido de medida assecuratória sobre o imóvel, condicionando, contudo, a sua manutenção à inclusão formal da pessoa jurídica Alfa Empreendimentos Ltda. no polo passivo da investigação ou da futura ação penal no prazo de 60 (sessenta) dias. Direito Constitucional

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: A alternativa C está correta porque, de acordo com a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ), é viável a decretação de medidas assecuratórias (como o sequestro ou a indisponibilidade) sobre bens registrados em nome de pessoa jurídica que, embora não seja investigada, tenha sido utilizada de forma fraudulenta para ocultar ou dissimular o proveito de crimes, sendo desnecessária a instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica (IDPJ) previsto no CPC.

Por que as demais estão erradas:
A) A alternativa A está incorreta porque a constrição pode atingir bens de pessoa jurídica que não figura formalmente no polo passivo, desde que demonstrado que ela foi utilizada como mero instrumento para ocultação de capitais ilícitos.
B) A alternativa B está incorreta porque o STJ afasta a necessidade de instauração prévia do incidente de desconsideração da personalidade jurídica (IDPJ) do CPC para a aplicação de medidas assecuratórias no processo penal.
D) A alternativa D está incorreta porque as medidas assecuratórias podem ser decretadas ainda na fase de inquérito policial, mediante representação da autoridade policial ou requerimento do Ministério Público, não exigindo o prévio recebimento da denúncia.
E) A alternativa E está incorreta porque a manutenção da medida assecuratória sobre os bens da pessoa jurídica utilizada para a ocultação de bens não é condicionada à sua inclusão formal no polo passivo da ação penal.

Base legal

Jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ), REsp 1.839.489/SP e RMS 61.186/SP, que dispensa a instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica (IDPJ) para a decretação de medidas assecuratórias penais (artigos 125 e seguintes do CPP e Lei nº 9.613/1998) sobre bens de pessoas jurídicas utilizadas para ocultação de proveito de crime.