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Direito de Ação

Resumo público de Processo Civil, com leitura aberta para revisão e links para aprofundar em aulas, mapas e materiais relacionados.

Direito de Ação: Do Conceito à Classificação no Processo Civil

O Direito de Ação é um dos pilares do processo civil, representando a prerrogativa de buscar a tutela jurisdicional do Estado. Ao longo da história, diversas teorias tentaram explicar sua natureza jurídica, culminando na adoção e adaptação da Teoria Eclética no ordenamento brasileiro.

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Evolução Teórica do Direito de Ação

  • Teoria Civilista (ou Imanentista/Clássica): Confundia o direito de ação com o próprio direito material. Acreditava-se que a ação era o direito material em movimento, sem autonomia.
  • Teoria Concreta da Ação: Reconheceu a independência entre o direito de ação e o direito material. No entanto, condicionava a existência do direito de ação à obtenção de uma sentença favorável.
  • Teoria da Ação como um Direito Potestativo: Entendia o direito de ação como um direito potestativo contra o adversário para buscar um efeito jurídico favorável, também condicionado à sentença favorável.
  • Teoria da Ação como um Direito Abstrato: Defendeu que o direito de ação é um direito público contra o Estado, autônomo e independente do direito material, e sua existência NÃO depende de uma sentença favorável. É o direito de obter uma resposta do Estado, favorável ou não.
  • Teoria Eclética da Ação (Liebman, adotada pelo CPC 2015 com adaptações): Inicialmente, sustentava que o direito de ação era autônomo e independente, mas condicionado à existência das condições da ação.

Adaptação no Direito Brasileiro: Considerando que o direito de ação é um direito fundamental incondicionado (Art. 5º, XXXV, CF), as condições da ação (legitimidade e interesse de agir – Art. 17 CPC) não são requisitos para sua existência, mas sim para regular seu exercício.

Conceito Atual de Direito de Ação no Brasil

Atualmente, o Direito de Ação é compreendido como um direito autônomo, independente e incondicionado da parte de obter uma resposta do Estado em relação à sua pretensão, seja ela acolhida ou rejeitada.

A Demanda e Seus Elementos

A demanda é o ato de ir a juízo para provocar a atividade jurisdicional, materializando o conteúdo das postulações. Seus elementos são:

  • Partes: Autor e Réu.
  • Causa de Pedir: Subdivide-se em fatos (causa de pedir remota) e fundamentos jurídicos (causa de pedir próxima).
  • Pedido: Subdivide-se em imediato (a resposta jurisdicional desejada) e mediato (o bem da vida almejado, como dinheiro ou a entrega de um bem).

A teoria da identidade da ação diferencia:

  • Identidade Total: Ocorre em casos de litispendência (ação idêntica em curso) ou coisa julgada (ação idêntica já finalizada).
  • Identidade Parcial: Ocorre em casos de conexão ou continência.

Classificação das Ações

As ações podem ser classificadas de diversas formas:

  • Segundo a Natureza do Direito Material:
    • Real: Envolve direitos reais (ex: usufruto, servidão).
    • Pessoal: Relaciona-se a direitos obrigacionais.
    • Possessória: Refere-se à posse de bens.
  • Segundo o Tipo de Tutela Jurisdicional:
    • Ação de Conhecimento: Busca resolver uma crise de certeza jurídica. Pode ser:
      • Condenatória: Direito a uma prestação.
      • Constitutiva: Envolve direitos potestativos (criação, modificação ou extinção de relações jurídicas).
      • Declaratória: Certifica a existência, inexistência, modo de ser de uma situação jurídica ou a autenticidade/falsidade de um documento.
    • Ação Executiva: Relaciona-se a uma crise de inadimplemento, buscando a satisfação de uma obrigação já certa, líquida e exigível.
    • Ação Cautelar: Visava resolver uma crise de tempo, adotando medidas urgentes para resguardar o resultado prático de uma decisão futura. No CPC de 2015, foi substituída pelas tutelas provisórias.

Perguntas frequentes

O que é o Direito de Ação no Processo Civil brasileiro?

O Direito de Ação é a prerrogativa autônoma e incondicionada de provocar o Estado para obter uma resposta jurisdicional sobre uma pretensão. Ele independe do direito material e garante ao cidadão o direito a uma decisão, seja ela favorável ou desfavorável ao seu pedido.

Qual a diferença entre a Teoria Eclética e a visão atual do CPC/2015?

A Teoria Eclética de Liebman condicionava o exercício da ação à presença das condições da ação. No ordenamento brasileiro atual, entende-se que o direito de ação é um direito fundamental incondicionado, sendo a legitimidade e o interesse de agir requisitos apenas para o seu exercício regular.

Quais são os elementos que compõem a demanda judicial?

A demanda é composta pelas partes (autor e réu), pela causa de pedir e pelo pedido. A causa de pedir divide-se em fatos e fundamentos jurídicos, enquanto o pedido compreende a resposta jurisdicional desejada e o bem da vida almejado pelo autor.

Como se classificam as ações quanto ao tipo de tutela jurisdicional?

As ações classificam-se em conhecimento, executivas e tutelas provisórias. As ações de conhecimento subdividem-se em declaratórias, constitutivas e condenatórias, conforme o objetivo de certificar, criar ou exigir uma prestação jurídica.