Questoes comentadas/Direito Civil

Questao comentada gratuita

Questão comentada sobre Estado de perigo e ausencia de obrigacao excessivamente onerosa

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

FGV2024Tribunal de Justica do Estado de Mato GrossoJuiz Substituto

Enunciado

Diante das queimadas que assolaram o município de Montes Altos, muitas pessoas precisaram de assistência médica para resolver problemas respiratórios. Dentre elas estava Thiago, que teve sua asma muito agravada e ficou entre a vida e a morte em razão da fumaça. O único posto de saúde do local foi coberto pelas chamas, e o único médico da região que tinha em seu consultório o material e a aparelhagem necessários para salvar Thiago cobrou o valor médio de mercado para atendê-lo e salvá-lo, o que foi aceito na hora por Thiago. Após o salvamento, Thiago recebeu a conta dos honorários médicos para pagamento. Considerando absurda aquela cobrança, procurou um advogado, que propôs ação judicial para anular o negócio, desconstituindo o débito. Nesse caso, o juiz deve julgar o pedido:

Alternativas

  1. A.
    procedente, pois Thiago estava premido da necessidade de salvar-se de grave dano conhecido pelo médico;
  2. B.
    procedente, pois atendimento médico emergencial não pode ser objeto de cobrança;
  3. C.
    improcedente, visto que o médico não exigiu obrigação excessivamente onerosa;
  4. D.
    improcedente, sem prejuízo de Thiago poder pleitear a revisão do valor devido por coação moral;
  5. E.
    procedente, em razão de Thiago estar em situação de premente necessidade e inexperiência.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

A alternativa C está correta. O estado de perigo exige que alguém, para salvar a si ou familiar de grave dano conhecido pela outra parte, assuma obrigação excessivamente onerosa. Thiago estava em perigo e o médico conhecia a urgência, mas cobrou o valor médio de mercado. Falta, portanto, o elemento objetivo da onerosidade excessiva; não há exploração econômica da necessidade nem fundamento para anular o negócio. A cobrança de atendimento privado emergencial não é, por si, proibida. A alternativa A está errada porque menciona apenas a necessidade e o conhecimento do médico, omitindo a obrigação excessivamente onerosa exigida pelo art. 156. A alternativa B está errada porque inexiste regra civil geral de gratuidade compulsória do serviço médico privado emergencial. A alternativa C aplica corretamente a ausência do requisito legal. A alternativa D está errada porque os fatos não indicam ameaça ilícita capaz de configurar coação moral, e o valor sequer é desproporcional para justificar revisão. A alternativa E está errada porque combina elementos da lesão, como necessidade e inexperiência, mas não há desproporção manifesta entre a prestação médica e o preço de mercado nem prova de inexperiência explorada.

Base legal

Codigo Civil, arts. 151, 156, 157, 171, II, e 184.