Enunciado
Frequentemente, os Promotores de Justiça de Tutela Coletiva são instados a se manifestar sobre o controle judicial das ações e omissões administrativas na implementação de políticas públicas. Nesse contexto, avalie as afirmativas a seguir. I. A doutrina aponta que o controle judicial das políticas públicas não é isento de custos e ônus institucionais, podendo afetar o equilíbrio das finanças públicas, induzir comportamentos excessivamente cautelosos por parte dos gestores públicos, temerosos de eventuais sanções pessoais (“apagão das canetas”), e eventualmente resultar na substituição indevida de escolhas administrativas legítimas. II. A intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas voltadas à realização de direitos fundamentais, em caso de ausência ou deficiência grave do serviço, não viola o princípio da separação dos Poderes. A decisão judicial, como regra, em vez de determinar medidas pontuais, deve apontar as finalidades a serem alcançadas e determinar à Administração Pública que apresente um plano e/ou os meios adequados para alcançar o resultado. III. Nas demandas individuais, compete ao Poder Judiciário assegurar a tutela efetiva dos direitos fundamentais que deveriam ter sido realizados por meio da política pública a cargo da Administração, independentemente do possível impacto que as decisões individuais possam ter nas finanças públicas e na organização e no funcionamento da Administração Pública. Está correto o que se afirma em
Alternativas
- A.II, apenas.
- B.I e II, apenas.
- C.I e III, apenas.
- D.II e III, apenas.
- E.I, II e III.
Gabarito: alternativa correta destacada.
Comentario
Por que as demais estão erradas:
A alternativa A está incorreta porque exclui a afirmativa I, que descreve de forma precisa os custos institucionais e o receio de sanções pessoais apontados pela doutrina administrativa contemporânea.
A alternativa C está incorreta porque inclui a afirmativa III, que erra ao afirmar que o Judiciário deve agir "independentemente do possível impacto" financeiro e organizacional, contrariando o art. 20 da LINDB e a teoria dos limites dos direitos fundamentais (reserva do possível).
A alternativa D está incorreta porque inclui a afirmativa III, que desconsidera os impactos práticos e financeiros das decisões judiciais, e exclui a afirmativa I.
A alternativa E está incorreta porque valida a afirmativa III, a qual ignora a necessidade de ponderação dos impactos orçamentários e organizacionais nas decisões que envolvem a implementação de políticas públicas por via individual.