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Questão comentada sobre Princípio da correlação e vedação à reformatio in pejus na apelação

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

Cebraspe2015TJPB 2015 - Concurso para Juiz SubstitutoJuiz Substituto

Enunciado

Na sentença de um processo de indenização por danos materiais contra a fazenda pública, o juiz condenou a ré a pagar quantia inferior à pleiteada pelo autor, justificando a minoração pela falta de provas em relação a alguns dos danos alegados na inicial. Ainda assim, a ré foi condenada a pagar também os juros legais, a correção monetária, os honorários advocatícios e despesas e as custas legais. A fazenda pública apelou da sentença e, nas razões da apelação, alegou que o juiz somente poderia condená-la nos valores decorrentes dos danos, uma vez que não havia pedido expresso de outros pagamentos na petição inicial. No acórdão que julgou a apelação, o tribunal manteve parcialmente a sentença e majorou o valor da indenização porque revisou o termo a quo da incidência da correção monetária e porque considerou que as provas haviam sido suficientes para mostrar que o valor de indenização pleiteado pelo autor era adequado. Com referência a essa situação hipotética, assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A.
    Na sentença do juiz singular, houve julgamento extra petita, de forma que o tribunal deveria ter anulado a decisão e reencaminhado os autos ao juiz.
  2. B.
    No julgamento da apelação, o tribunal realizou reformatio in pejus ao revisar o termo a quo da correção monetária.
  3. C.
    O juiz singular, por ter acolhido parcialmente o pedido do autor, emitiu julgamento citra petita referente ao valor da indenização.
  4. D.
    A sentença não apresentou vícios quanto a sua correlação com os pedidos, mas o tribunal realizou reformatio in pejus ao majorar a indenização para o valor pleiteado pelo autor.
  5. E.
    A decisão do juiz singular foi ultra petita e a sentença deveria ter sido reformada para eliminação do excesso na condenação. ||160TJPB_001_01N760094|| CESPE | CEBRASPE – TJPB – Aplicação: 2015

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: A alternativa D está correta. A sentença não violou o princípio da correlação, pois juros legais, correção monetária, honorários, despesas e custas são consectários legais/pedidos implícitos; contudo, como apenas a fazenda pública apelou, o tribunal não poderia piorar sua situação majorando a indenização para o valor pleiteado pelo autor, sob pena de reformatio in pejus.

Por que as demais estão erradas:
A) Está errada, porque não houve julgamento extra petita na condenação aos consectários legais, que decorrem da lei independentemente de pedido expresso.
B) Está errada, pois o vício apontado pelo gabarito não é simplesmente a revisão do termo a quo da correção monetária, mas a majoração da indenização em desfavor da única apelante, a fazenda pública.
C) Está errada, porque o acolhimento parcial do valor pedido não configura julgamento citra petita; o juiz apreciou o pedido indenizatório e apenas reconheceu prova insuficiente quanto a parte dos danos.
E) Está errada, porque a sentença não foi ultra petita: juros, correção monetária, honorários, despesas e custas legais podem ser impostos como efeitos legais da condenação.

Base legal

CPC/1973, art. 293, e CPC/2015, art. 322, § 1º: compreendem-se no pedido os juros legais, a correção monetária e as verbas de sucumbência; CPC/1973, arts. 128 e 460, e CPC/2015, arts. 141 e 492: princípio da congruência/correlação; princípio recursal da vedação à reformatio in pejus, decorrente do efeito devolutivo e do tantum devolutum quantum appellatum.