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Questão comentada sobre Teoria Geral dos Precedentes

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

FGV2025MPES 2025 - Concurso para Promotor de Justica Substituto - Prova Tipo 1Promotor de Justica Substituto

Enunciado

O Código de Processo Civil de 2015 consolidou um sistema de precedentes obrigatórios que devem ser observados por juízes e tribunais, entre eles as decisões proferidas em Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR), Incidente de Assunção de Competência (IAC), recursos repetitivos e repercussão geral, com o objetivo de assegurar uniformidade e estabilidade à interpretação do direito. Nesse contexto, em determinado Estado, o Tribunal de Justiça fixou, em sede de IRDR, a tese de que o fornecimento de medicamento pelo poder público depende da comprovação de registro na ANVISA. Em ação individual ajuizada posteriormente, com idêntico objeto, um juiz concedeu liminar em sentido contrário à tese firmada no IRDR. Considerando as disposições do Código de Processo Civil de 2015 e o papel do Ministério Público (MP) como fiscal da ordem jurídica, assinale a opção que indica a conduta que deve ser adotada diante da decisão judicial que contrariou precedente vinculante.

Alternativas

  1. A.
    O MP deve abster-se de intervir, pois a decisão judicial, ainda que contrária à tese do IRDR, é ato discricionário do magistrado.
  2. B.
    O IRDR possui natureza apenas persuasiva, de modo que o juiz pode afastar a tese quando entender necessário.
  3. C.
    O MP não possui legitimidade para intervir em processos individuais.
  4. D.
    O MP pode intervir para garantir o cumprimento do precedente obrigatório, impugnando a decisão judicial que divergiu da tese fixada.
  5. E.
    O MP deve apenas sugerir ao tribunal a revisão do precedente.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: A alternativa D está correta porque o Ministério Público, atuando como fiscal da ordem jurídica (art. 178 do CPC), tem o dever de zelar pela aplicação e observância dos precedentes obrigatórios, possuindo legitimidade para intervir e impugnar decisões que os contrariem.

Por que as demais estão erradas:
A alternativa A está incorreta porque a observância de tese firmada em IRDR é obrigatória (art. 927, III, do CPC), não se inserindo no âmbito da discricionariedade do magistrado descumpri-la sem fundamentação de distinção ou superação.
A alternativa B está incorreta porque o IRDR possui eficácia vinculante e obrigatória para todos os juízes vinculados ao tribunal que o fixou, e não mera natureza persuasiva.
A alternativa C está incorreta porque o MP possui legitimidade para intervir em causas individuais quando houver interesse público evidenciado pela necessidade de uniformização jurisprudencial e respeito aos precedentes obrigatórios.
A alternativa E está incorreta porque a atuação do MP não é meramente consultiva ou limitada a sugerir a revisão do precedente, cabendo-lhe manejar os instrumentos processuais adequados para reformar a decisão divergente.

Base legal

Artigos 178, 927, inciso III, e 985, incisos I e II, do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015).