Conceito de Crime: Abordagens e Teorias Analíticas
O conceito de crime é fundamental no Direito Penal, sendo abordado sob diferentes perspectivas que buscam compreender sua natureza e estrutura. Existem quatro conceitos principais de crime, que se complementam para uma análise completa.
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1. Conceito Formal
Para o conceito formal, crime é tudo aquilo que a lei define como crime. Prioriza o princípio da legalidade, focando na subsunção da conduta à norma. A teoria do etiquetamento/rotulagem (ou "labelling approach") alinha-se a essa visão, argumentando que as noções de crime e criminoso são construções sociais e legais.
2. Conceito Material
O conceito material busca a essência do crime, definindo-o como a conduta que viola, de forma relevante, um bem jurídico tutelado. Preocupa-se com o porquê de uma conduta ser considerada criminosa, além de sua mera definição legal.
3. Conceito Legal
Uma doutrina minoritária extrai o conceito de crime do Art. 1º da Lei de Introdução ao Código Penal, que distingue crime de contravenção penal com base na espécie de pena cominada:
- Crime: Infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção (isolada, alternativa ou cumulativa com multa).
- Contravenção: Infração penal que a lei comina pena de prisão simples ou de multa (isolada, alternativa ou cumulativa).
Observação: A doutrina majoritária entende que o Art. 1º da LICP apenas diferencia as espécies de infração penal pelas consequências, não definindo o que é crime em si.
Critério Dicotômico vs. Tricotômico
O Brasil adota o critério dicotômico, dividindo a infração penal em crime e contravenção. No entanto, o Art. 28 da Lei de Drogas (porte para consumo pessoal), que não prevê pena de prisão nem multa, gerou debate. Parte da doutrina defende um critério tricotômico (crime, contravenção e infração penal sui generis). O STF, porém, entende que o Art. 28 é crime, pois a própria lei assim o denomina, independentemente da pena.
4. Conceito Analítico (ou Estratificado)
Este conceito desmembra o crime em elementos essenciais para sua análise dogmática:
- Teoria Bipartida: O crime possui 2 elementos: fato típico e ilicitude. A culpabilidade é um pressuposto para a aplicação da pena.
- Teoria Tripartida: O crime possui 3 elementos: fato típico, ilicitude (ou antijuridicidade) e culpabilidade. Esta é a teoria majoritariamente adotada no Brasil. Consequentemente, menores de 18 anos, por serem inimputáveis (ausência de culpabilidade), não praticam crime, mas sim ato infracional (Art. 103 ECA).
- Teoria Quadripartida: Adiciona a punibilidade como quarto elemento do crime.
- Teoria Constitucionalista do Delito: Considera o crime como fato típico, ilícito e punível em abstrato, sendo a culpabilidade um pressuposto para a pena.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre o conceito formal e o conceito material de crime?
O conceito formal define crime como toda conduta que a lei descreve como infração, baseando-se no princípio da legalidade. Já o conceito material busca a essência do delito, definindo-o como a conduta que causa uma lesão ou perigo de lesão relevante a um bem jurídico tutelado.
O que diferencia um crime de uma contravenção penal no Brasil?
O Brasil adota o critério dicotômico, diferenciando-os pela espécie de pena cominada conforme a Lei de Introdução ao Código Penal. Crimes são punidos com reclusão ou detenção, enquanto contravenções são punidas com prisão simples ou multa.
Qual é a teoria do conceito analítico de crime adotada majoritariamente no Brasil?
A doutrina majoritária brasileira adota a teoria tripartida, que define o crime como um fato típico, ilícito e culpável. Por essa visão, a culpabilidade é um elemento integrante da estrutura do crime, e não apenas um pressuposto para a aplicação da pena.
Por que menores de 18 anos não cometem crimes segundo a teoria tripartida?
Como os menores de 18 anos são considerados inimputáveis, falta-lhes o elemento da culpabilidade, que é indispensável para a configuração do crime na teoria tripartida. Por isso, suas condutas são classificadas juridicamente como atos infracionais, conforme o ECA.

