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Questão comentada sobre Poder cautelar do Tribunal de Contas da União

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

FGV2025Tribunal Regional Federal da 5a RegiaoJuiz Federal Substituto

Enunciado

O Tribunal de Contas da União instaurou processo de tomada de contas especial, com o objetivo de quantificar o dano causado e apurar responsabilidades no âmbito de certo contrato celebrado entre sociedade de economia mista federal e consórcio formado por duas sociedades empresárias privadas, com o objetivo de construção de obra a ser utilizada na exploração de atividade econômica em sentido estrito. A partir de uma cognição sumária, o Tribunal decidiu adotar três medidas de natureza cautelar, diferindo as garantias do contraditório e da ampla defesa para momento posterior ao seu cumprimento. As medidas cautelares adotadas foram: I. a decretação da indisponibilidade dos bens dos empregados da sociedade de economia mista diretamente envolvidos na celebração do contrato; II. a desconsideração da personalidade jurídica das duas sociedades empresárias privadas que formavam o consórcio; III. a decretação da indisponibilidade dos bens dos dirigentes das sociedades empresárias, representantes do consórcio, que firmaram o contrato. Considerando as competências do Tribunal de Contas da União, é correto afirmar, em relação às referidas medidas cautelares, que:

Alternativas

  1. A.
    as três medidas são ilícitas, pois impõem restrições diretas ou indiretas à esfera jurídica individual com contraditório diferido, o que é expressamente vedado;
  2. B.
    medidas constritivas do patrimônio de pessoas naturais, sejam ou não agentes públicos, não podem ser adotadas pelo Tribunal de Contas; logo, apenas as medidas I e III são ilícitas;
  3. C.
    medidas constritivas do patrimônio de pessoas naturais, que não atuam como ordenadoras de despesas, não podem ser adotadas pelo Tribunal de Contas; logo, apenas a medida III é ilícita;
  4. D.
    as três medidas cautelares são lícitas, enquanto aplicação da teoria dos poderes implícitos, sendo proferidas em caráter não definitivo, mas a decretação da indisponibilidade não pode se estender por prazo superior a 1 ano;
  5. E.
    medidas constritivas do patrimônio de pessoas naturais, que não atuam como ordenadoras de despesas, e a desconsideração da personalidade jurídica somente podem ser decretadas pelo Poder Judiciário, não pelo Tribunal de Contas; logo, apenas as medidas II e III são ilícitas.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

A alternativa D está correta. Para assegurar resultado útil da tomada de contas, o TCU dispõe de poder cautelar decorrente de suas competências constitucionais e da teoria dos poderes implícitos. Pode decretar indisponibilidade de bens de responsáveis, inclusive particulares sujeitos à jurisdição de contas, e afastar a personalidade jurídica usada para ocultar patrimônio, com contraditório diferido quando a urgência o justificar. A indisponibilidade legal é temporária e não pode superar um ano. Alternativa A: está incorreta porque contraditório diferido é admitido em cautelares urgentes, desde que a defesa plena seja assegurada logo após o cumprimento. Alternativa B: está incorreta porque a competência cautelar pode alcançar patrimônio de pessoas naturais responsáveis por dano ao erário, e não apenas pessoas jurídicas. Alternativa C: está incorreta porque a sujeição não depende de a pessoa privada ser formalmente ordenadora de despesas; participação no dano apurado pode justificar a medida. Alternativa D: está correta porque reconhece a licitude das três cautelares, sua natureza provisória e o limite temporal expresso para indisponibilidade. Alternativa E: está incorreta porque reserva indevidamente ao Judiciário medidas instrumentais que o TCU pode adotar dentro de sua jurisdição e sob controle judicial posterior.

Base legal

Constituição Federal, arts. 70 e 71; Lei 8.443/1992, arts. 44, caput e parágrafo 2º, e 61; STF, jurisprudência sobre poder geral de cautela do TCU.