Questoes comentadas/Direito Administrativo

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Questão comentada sobre Responsabilidade Civil do Estado

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

FGV2020XXXI Exame de Ordem Unificado

Enunciado

Rafael, funcionário da concessionária prestadora do serviço público de fornecimento de gás canalizado, realizava reparo na rede subterrânea, quando deixou a tampa do bueiro aberta, sem qualquer sinalização, causando a queda de Sônia, transeunte que caminhava pela calçada. Sônia, que trabalha como faxineira diarista, quebrou o fêmur da perna direita em razão do ocorrido e ficou internada no hospital por 60 dias, sem poder trabalhar. Após receber alta, Sônia procurou você, como advogado(a), para ajuizar ação indenizatória em face

Alternativas

  1. A.
    da concessionária, com base em sua responsabilidade civil objetiva, para cuja configuração é desnecessária a comprovação de dolo ou culpa de Rafael.
  2. B.
    do Estado, como poder concedente, com base em sua responsabilidade civil direta e subjetiva, para cuja configuração é prescindível a comprovação de dolo ou culpa de Rafael.
  3. C.
    de Rafael, com base em sua responsabilidade civil direta e objetiva, para cuja configuração é desnecessária a comprovação de ter agido com dolo ou culpa, assegurado o direito de regresso contra a concessionária.
  4. D.
    do Município, como poder concedente, com base em sua responsabilidade civil objetiva, para cuja configuração é imprescindível a comprovação de dolo ou culpa de Rafael.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

A alternativa correta é a letra A. A responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público, como é o caso da concessionária de gás, é objetiva. Isso significa que a vítima, Sônia, não precisa comprovar que o funcionário Rafael agiu com dolo ou culpa para ter direito à indenização; basta provar a conduta, o dano sofrido e o nexo de causalidade entre eles. A alternativa B está incorreta porque a responsabilidade do poder concedente é subsidiária, e não direta, além de a responsabilidade do Estado ser objetiva. A alternativa C erra ao afirmar que a responsabilidade de Rafael seria objetiva; a responsabilidade do agente público ou do empregado da concessionária é subjetiva e deve ser apurada em ação de regresso. A alternativa D está incorreta porque, além de a responsabilidade direta ser da concessionária, a responsabilidade objetiva dispensa a comprovação de dolo ou culpa do agente.

Base legal

A questão fundamenta-se no artigo 37, parágrafo 6º, da Constituição Federal. Este dispositivo consagra a responsabilidade civil objetiva, sob a modalidade da teoria do risco administrativo, tanto para as pessoas jurídicas de direito público quanto para as pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos. Segundo a norma, essas entidades respondem pelos danos que seus agentes, atuando nessa qualidade, causarem a terceiros, independentemente da comprovação de dolo ou culpa. O texto constitucional também prevê que a entidade que indenizou a vítima tem o direito de regresso contra o agente causador do dano, mas, nesse caso, a responsabilidade do agente é subjetiva, ou seja, exige a comprovação de que ele agiu com dolo ou culpa.