Enunciado
Jorge e Ana são locadores de um apartamento e Carlos, o locatário. No contrato, foi estipulado que o prazo para eventual pretensão de cobrança do valor do aluguel seria de cinco anos. Carlos e Ana, seis meses antes do término da locação, iniciaram relacionamento afetivo. Terminada a locação, Carlos deixou o imó vel, contraiu matrimônio com Ana sob o regime da separação total de bens e passou a morar com ela em outro endereço. Carlos entregou as chaves do apartamento para Jorge, mas deixou de pagar o último mês de aluguel. De forma a não criar embaraços familiares, Jorge e Ana não cobraram o débito de Carlos. Passados seis anos do casamento, o casal se divorciou e Jorge pretende reaver o valor devido por Carlos. Sobre a pretensão de Jorge, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
- A.Encontra - se prescrita, pois o prazo de tr ês anos, além de não poder ser alterado, já se esgotou.
- B.É exigível, uma vez que o prazo decadencial de cinco anos ainda não expirou.
- C.não é mais exigível, pois o prazo de cinco anos previsto no contrato já se esgotou.
- D.Decaiu, pois o prazo de cin co anos previsto no contrato já se esgotou.
- E.Permanece exigível, pois o casamento de Ana é motivo de suspensão da prescrição.
Gabarito: alternativa correta destacada.
Comentario
Por que as demais estão erradas:
B) Errada. A hipótese não é de decadência, mas de prescrição, pois se trata de pretensão de cobrança de dívida. Além disso, o prazo aplicável não é o contratual de cinco anos, mas o legal de três anos.
C) Errada. Embora conclua pela inexigibilidade, fundamenta-se no prazo contratual de cinco anos, que é inválido para modificar prazo prescricional. O correto é reconhecer a prescrição pelo prazo legal de três anos.
D) Errada. Não houve decadência. A cobrança de aluguel envolve pretensão patrimonial sujeita à prescrição, e não prazo decadencial. Ademais, o prazo de cinco anos estipulado no contrato não pode prevalecer sobre o prazo legal.
E) Errada. O casamento pode suspender a prescrição entre os cônjuges, conforme o art. 197, I, do Código Civil, mas Jorge não era cônjuge de Carlos. A eventual suspensão decorrente do casamento de Ana com Carlos não aproveita a Jorge, que pretende cobrar o débito após o decurso do prazo prescricional de três anos.