Questoes comentadas/Direito Penal

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Questão comentada sobre Porte ilegal de arma e disparo em legítima defesa de terceiro

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

FGV2024Tribunal de Justica do Estado de Mato GrossoJuiz Substituto

Enunciado

Ildebrando, frentista, assustado com constantes assaltos a postos de combustíveis, decide levar para o trabalho um revólver de calibre.38, arma de fogo de uso permitido, devidamente registrada em seu nome, cuja autorização para o porte ele não possui. Certo dia, quando ele está trabalhando, trazendo a citada arma de fogo no bolso de seu uniforme, percebe um indivíduo, armado, rendendo um pedestre, nas proximidades do posto de combustíveis, o que o leva a sacar sua arma e efetuar disparo para o alto, pondo em fuga o assaltante. Este é perseguido e, logo em seguida, detido por policiais, que arrecadam com ele um simulacro de arma de fogo. Diante do caso narrado, é correto afirmar que Ildebrando:

Alternativas

  1. A.
    não cometeu crime;
  2. B.
    cometeu crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido;
  3. C.
    cometeu crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido;
  4. D.
    cometeu crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e de disparo de arma de fogo;
  5. E.
    cometeu crimes de posse irregular de arma de fogo de uso permitido e de disparo de arma de fogo.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

A alternativa B está correta. Ildebrando transporta e traz consigo arma de fogo de uso permitido fora de sua residência, sem autorização de porte, consumando o delito do art. 14 da Lei 10.826/2003. O registro em seu nome não autoriza portá-la em via pública ou no trabalho. A figura de posse do art. 12 só alcança residência, dependência ou local de trabalho do qual o agente seja titular ou responsável legal, condição que o simples empregado frentista não possui. O porte já existia antes da intervenção defensiva. A alternativa A está errada porque a legítima defesa de terceiro pode justificar o disparo, mas não apaga o porte ilegal autônomo e preexistente. A alternativa B identifica esse crime remanescente. A alternativa C está errada porque o fato é porte, não posse restrita aos locais e sujeitos do art. 12. A alternativa D está errada porque o disparo para o alto foi meio moderado para cessar agressão atual e injusta contra o pedestre; o simulacro não elimina a grave ameaça real sofrida pela vítima nem a legítima defesa de terceiro. A alternativa E está errada tanto por classificar a arma como mera posse quanto por punir separadamente o disparo justificado. O art. 15 do Estatuto do Desarmamento, ademais, somente incide quando o disparo não tiver por finalidade a prática de outro crime, sem afastar causas gerais de justificação.

Base legal

Código Penal, arts. 23, II, e 25; Lei 10.826/2003, arts. 5, caput, 12, 14 e 15.