Questoes comentadas/Direito Administrativo

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Questão comentada sobre Intervenção do Estado na Propriedade

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

FGV2025MPRJ 2025 - Concurso para Promotor de Justica Substituto - Prova Tipo 1Promotor de Justica Substituto

Enunciado

Lucas, maior e capaz, residente e domiciliado no Município de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, compareceu à sede do Ministério Público, denunciando o fato de que a municipalidade teria praticado ato ilegal e lesivo ao seu patrimônio, consistente na desapropriação do seu imóvel, sem a observância das formalidades legais. Com efeito, após a análise detida do caso que lhe foi apresentado, o Promotor de Justiça concluiu que a desapropriação do imóvel se materializ ou após cinco anos de cobrança do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), progressivo no tempo, sem que o proprietário tenha cumprido a obrigação de parcelamento, edificação ou utilização do local. Registre - se, por fim, que o Munic ípio de Niterói, antes de implementar a desapropriação, não deu ciência dos fatos ao Ministério Público, tampouco ao Tribunal de Contas. Nesse cenário, considerando as disposições expressas da Lei nº 10.257/2001, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A.
    Não há qualquer ilegalidade na desapropriação efetivada pelo Município de Niterói, sendo certo que Lucas será indenizado por meio de pagamento em títulos da dívida pública, previamente aprovados pela Assembleia Legislativa, os quais serão resgatados no prazo de a té dez anos, em prestações anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais de 12% ao ano.
  2. B.
    Não há qualquer ilegalidade na desapropriação efetivada pelo Município de Niterói, sendo certo que Lucas será ressarcido em dinheiro e a indenização deverá considerar o valor da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), descontado o montante incorporado em função de obras realizadas pelo Poder Público na área onde o imóvel se localiza, nos últimos 5 anos.
  3. C.
    Não há qualquer ilegalidade na desapropriação efetivada pelo Município de Niterói, sendo certo que Lucas será indenizado por meio de pagamento em títulos da dívida pública, previamente aprovados pelo Senado Federal, os quais serão resgatados no prazo de até dez anos, em prestações anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais de 6% ao ano.
  4. D.
    A desapropriação implementada pelo Município de Niterói é ilegal, já que, antes de efetivada a expro priação, o Poder Público deveria ter dado ciência dos fatos ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas.
  5. E.
    A desapropriação efetivada pelo Município de Niterói é ilegal, por usurpar a competência do Estado do Rio de Janeiro para proceder à desapropriaç ão decorrente da inobservância da função social da propriedade.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: A alternativa C está correta porque, nos termos do art. 8º, § 1º, da Lei nº 10.257/2001 (Estatuto da Cidade), a desapropriação decorrente do descumprimento da função social da propriedade (após cinco anos de cobrança de IPTU progressivo) dar-se-á mediante pagamento em títulos da dívida pública previamente aprovados pelo Senado Federal, resgatáveis em até dez anos, em prestações anuais, iguais e sucessivas, com juros legais de 6% ao ano.

Por que as demais estão erradas:
A alternativa A está incorreta porque a aprovação dos títulos cabe ao Senado Federal (e não à Assembleia Legislativa) e os juros legais são de 6% ao ano (e não 12%).
A alternativa B está incorreta porque a indenização dessa modalidade de desapropriação-sanção é feita em títulos da dívida pública, e não em dinheiro.
A alternativa D está incorreta porque a legislação de regência não exige a comunicação prévia ao Ministério Público ou ao Tribunal de Contas como requisito de validade para a desapropriação.
A alternativa E está incorreta porque a competência para ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes, inclusive mediante desapropriação-sanção, é do Município, e não do Estado.

Base legal

Artigo 182, § 4º, inciso III, da Constituição Federal de 1988; Artigo 8º, caput e § 1º, da Lei nº 10.257/2001 (Estatuto da Cidade).