Questoes comentadas/Direito Penal

Questao comentada gratuita

Questão comentada sobre Consumacao do furto e principio da insignificancia

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

FGV2025Defensoria Publica do Estado de PernambucoDefensor Publico

Enunciado

Considerando o momento consumativo do crime de furto e a aplicação do princípio da insignificância, avalie as situações fáticas a seguir. I. Em uma loja de departamento, Edna esconde roupas íntimas em sua bolsa e sai do local sem efetuar o pagamento. O segurança, alertado por um cliente, aborda Edna na frente do estabelecimento e todos os bens, avaliados em R$ 850,00, são restituídos. O Ministério Público denuncia Edna pelo crime de furto e, no curso do processo, verifica-se que ela responde a outros dois processos criminais, um por furto e outro por receptação. II. Em um supermercado, Josué esconde peças de picanha na parte inferior do carrinho. Passa pela caixa, efetua o pagamento dos demais produtos e, em seguida, vai embora. Cientificada do fato, a gerência do estabelecimento alerta a Polícia Militar que realiza diligências e consegue localizar Josué, na porta de casa, descarregando os produtos. As peças de picanha são restituídas e avaliadas em R$ 520,00. Josué possui uma condenação definitiva pelo crime de estelionato e é reincidente. Em relação às situações fáticas apresentadas, à luz da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A.
    Em ambas as situações, o crime de furto restou tentado, porque Edna e Josué não detiveram a posse mansa, pacífica e desvigiada dos bens subtraídos.
  2. B.
    Em ambas as situações, o valor dos bens subtraídos, abaixo do salário-mínimo, justifica, por si só, a aplicação do princípio da insignificância.
  3. C.
    O crime praticado por Edna restou consumado.
  4. D.
    Somente na situação II, as condições subjetivas do réu podem justificar o afastamento do princípio da insignificância.
  5. E.
    Em ambas as situações, a restituição imediata dos bens subtraídos justifica, por si só, a aplicação do princípio da insignificância.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Segundo a teoria da apprehensio adotada pelo STJ, o furto se consuma com a inversao da posse, ainda que breve, vigiada e seguida de imediata recuperacao. Edna saiu do estabelecimento com os bens ocultos e, portanto, consumou o delito; posse mansa e pacifica nao e requisito. Alternativa A: Incorreta. Tanto Edna quanto Josue inverteram a posse dos bens; a consumacao independe de posse tranquila, desvigiada ou prolongada. Alternativa B: Incorreta. Valor inferior a um salario minimo nao produz insignificancia automatica; examinam-se ofensividade, periculosidade, reprovabilidade e lesao, alem do contexto concreto. Alternativa C: Correta. Ao ultrapassar a linha de pagamento e sair da loja com as roupas ocultas, Edna obteve a posse de fato e consumou o furto, ainda que tenha sido abordada logo depois. Alternativa D: Incorreta. Reincidencia ou antecedentes podem ser ponderados, mas nao constituem criterio exclusivo nem impedimento automatico; alem disso, processos sem condenacao definitiva de Edna nao equivalem a maus antecedentes. Alternativa E: Incorreta. Restituicao imediata e circunstancia relevante, mas nao basta isoladamente para reconhecer insignificancia nem desfaz a consumacao.

Base legal

Codigo Penal, arts. 14 e 155; STJ, Sumula 582 e jurisprudencia sobre insignificancia.