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Questão comentada sobre Crimes eleitorais

Enunciado, alternativas e comentario aberto para indexacao, revisao e conexao com aulas e materiais relevantes.

FGV2025TJSE 2025 - Concurso para Juiz Substituto - Prova Tipo 1Juiz Substituto

Enunciado

Tício, no período de inscrição eleitoral em recente eleição, fraudulentamente, apresentou à Justiça Eleitoral informações para subsidiar pedido de alteração de seu domicílio eleitoral, juntando, para tanto, declaração firmada por seu amigo, Caio, na qual a firmou estarem residindo juntos no Município Alfa, o que não é verdade. O pedido de transferência foi deferido, expedindo - se o título de eleitor. Considerando a legislação em vigor e o posicionamento do Tribunal Superior Eleitoral, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A.
    caso comprovada a fraude na inscrição eleitoral descrita, Caio responderá como coautor de Tício, na forma do Art. 289 do Código Eleitoral;
  2. B.
    na hipótese acima descrita, caso constatado o delito eleitoral antes do deferimento da transferência, não sen do expedido o título de eleitor, Tício responderá por tentativa de fraude;
  3. C.
    para o aperfeiçoamento da configuração do crime de inscrição fraudulenta de eleitor, a aquisição da capacidade eleitoral ativa não é condição indispensável;
  4. D.
    para a imputação do crime de inscrição fraudulenta de eleitor, exige - se a comprovação de dolo específico de efetuar inscrição ou transferência com fraude;
  5. E.
    ocorrendo inscrição fraudulenta de eleitor e a prática de falsidade ideológica eleitoral, há consunção, aplicando - se, apenas, o Art. 289 do Código Eleitoral.

Gabarito: alternativa correta destacada.

Comentario

Correta: C) Segundo o entendimento do TSE, o crime de inscrição fraudulenta de eleitor não exige, para sua configuração, que o agente efetivamente adquira a capacidade eleitoral ativa ou que o título produza todos os efeitos eleitorais; basta a conduta fraudulenta voltada à inscrição ou transferência eleitoral.

Por que as demais estão erradas:
A) Caio, ao firmar declaração falsa, não pratica como coautor o núcleo típico próprio de “inscrever-se” fraudulentamente, podendo sua conduta ser analisada, conforme o caso, como participação ou como falsidade eleitoral, mas não nos termos afirmados pela alternativa.
B) A ausência de deferimento ou de expedição do título não conduz necessariamente à tentativa, pois a jurisprudência eleitoral não condiciona a configuração do delito à efetiva aquisição da capacidade eleitoral ativa.
D) O tipo do art. 289 do Código Eleitoral exige fraude e dolo, mas não um dolo específico autônomo nos termos rígidos indicados pela alternativa; a consciência e vontade de realizar a inscrição ou transferência mediante fraude bastam para a tipicidade subjetiva.
E) Não se aplica automaticamente a consunção entre inscrição fraudulenta e falsidade ideológica eleitoral; a depender da autonomia e da potencialidade lesiva do documento falso, pode haver responsabilização própria também pelo art. 350 do Código Eleitoral.

Base legal

Art. 289 do Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965): “Inscrever-se fraudulentamente eleitor”. Art. 350 do Código Eleitoral: falsidade ideológica eleitoral. Entendimento do Tribunal Superior Eleitoral no sentido de que, para a configuração do crime de inscrição fraudulenta de eleitor, a aquisição da capacidade eleitoral ativa não é condição indispensável.