Enunciado
Em 2006, Pedro celebrou contrato verbal de comodato com seu tio Jorge, proprietário de um sítio de 5 hectares localizado no interior do Estado, permitindo-lhe residir no local e realizar pequenas plantações para subsistência pelo prazo de quarenta e oito meses. Em 2011, Jorge faleceu, deixando três herdeiras: Tieta, Flor e Maria, que jamais ingressaram com ação reivindicatória. Pedro permaneceu no imóvel, construiu uma casa de alvenaria e passou a explorá-lo economicamente, plantando e vendendo hortaliças em feiras locais. Em 2020, Pedro transferiu onerosamente parte da posse do terreno (1 hectare) a Dorival, mediante contrato particular não registrado, e este passou a exercer posse mansa e produtiva sobre a fração. Em 2025, Tieta propôs ação reivindicatória em face de Dorival, que, em contestação, alegou a usucapião. Em réplica, a autora sustentou a impossibilidade de usucapião, pois a posse teve origem em comodato verbal e, portanto, seria precária. Considerando os fatos narrados e à luz do o Código Civil, da Constituição Federal e da jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, assinale a opção correta quanto à natureza da posse exercida por Pedro e Dorival, bem como à possibilidade de reconhecimento da usucapião no caso descrito.
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Gabarito: B
A alternativa B está correta porque, com a morte do comodante e o decurso do prazo contratual, aliados à inércia dos herdeiros e à mudança de comportamento do possuidor (que passou a realizar benfeitorias e explorar economicamente a área), ocorreu a interversão da posse ( interversio possessionis ), transmutando a posse precária em posse ad usucapionem , o que viabiliza a usucapião extraordinária.
Base legal: Artigos 1.203, 1.238 e 1.243 do Código Civil; Súmula 237 do STF; Enunciado 237 da III Jornada de Direito Civil do CJF.
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