Enunciado
Paulo e Maria eram namorados quando o primeiro recebeu um convite para trabalhar na Polônia e para lá seguiu sozinho, em agosto de 2013. Após a conclusão de seu curso de graduação, e com a intenção de cursar a língua inglesa, Maria também foi para a Polônia, em janeiro de 2014. Maria ainda cursou um mestrado, na área de sua atuação profissional, uma das razões para sua permanência no exterior. A partir de então e durante todo aquele período, passaram a coabitar. Em outubro de 2014, ante o inegável fortalecimento da relação, Paulo e Maria ficaram noivos, oportunidade em que Paulo escreveu à mãe de Maria: “Estamos nós dois apostando no nosso futuro, na nossa vida...”. Em 2015, retornam ao Brasil, mas, à espera do casamento, passam a viver em residências separadas. Sucede que, no mesmo período, Paulo começa um relacionamento com Ksenia, polonesa da cidade vizinha. Quando retorna ao Brasil, é seguido por Ksenia e toda a sua família, que conhecia Paulo como seu “marido brasileiro”. Aqui, residem juntos em Brasília, onde se apresentam mutuamente como marido e mulher. Em 2016, nasce o primeiro filho, Paulo Junior, devidamente registrado. Em 2017, antes do casamento com Maria, Paulo falece. Maria e Ksenia se apresentam ao órgão previdenciário como suas companheiras. Nesse caso, deve ser reconhecida:
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Gabarito: E
A relação com Maria tinha projeto futuro de casamento, mas não demonstrava constituição familiar presente: a coabitação no exterior possuía razões acadêmicas e profissionais e, no Brasil, viveram separados. Com Ksenia houve vida pública como casal, coabitação e filho, caracterizando união estável. Além disso, o STF não admite o reconhecimento de vínculos familiares simultâneos no período de sobreposição.
Base legal: Código Civil, art. 1.723; STF, Tema 529; STJ, distinção entre namoro qualificado e união estável.
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