Resumo Esquematizado: Apropriação Indébita Previdenciária
O crime de apropriação indébita previdenciária, tipificado no artigo 168-A do Código Penal, é um delito de competência federal, visto que atinge o INSS, uma autarquia federal. A conduta principal consiste em deixar de repassar à Previdência Social as contribuições recolhidas dos contribuintes no prazo e forma legal ou convencional. Este crime abrange apenas o regime geral de previdência social, não se aplicando à previdência complementar ou aos regimes próprios.
Aprofunde depois do conceito
Quer conectar Apropriação Indébita Previdência com aulas e materiais completos?
Depois de entender o primeiro bloco do resumo, use estes caminhos para estudar o tema com videoaulas, mapas mentais ou ebooks da disciplina.
Responsabilidade Tributária
As contribuições referem-se aos tributos destinados ao custeio da previdência social. O empregador, na qualidade de responsável tributário, desconta a contribuição previdenciária do empregado (celetista) mas não a repassa ao INSS. O crime é cometido por este responsável tributário, e não pelo contribuinte.
Outras Condutas Equiparadas (§ 1º)
Incorre nas mesmas penas quem deixar de:
- Recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público.
- Recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços.
- Pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social.
Sujeitos do Delito
- Sujeito Ativo: O responsável tributário, sendo um crime próprio.
- Sujeito Passivo: O Estado, pois o crime afeta o patrimônio público federal.
Objetos do Delito
- Objeto Jurídico (Bem Jurídico Tutelado): O patrimônio público.
- Objeto Material: As contribuições previdenciárias.
Ação Nuclear Típica e Elemento Subjetivo
- Núcleo do Tipo: "Deixar de repassar", caracterizando-se como um crime omissivo próprio.
- Elemento Subjetivo: Exige dolo direto ou eventual, sem necessidade de dolo específico. Não há modalidade culposa.
Consumação e Tentativa
O crime se consuma com a abstenção do repasse. Por ser um crime omissivo próprio, não admite tentativa.
Extinção da Punibilidade do Agente (§ 2º)
A punibilidade é extinta se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das contribuições antes do início da ação fiscal (e não da ação penal).
Perdão Judicial ou Aplicação Apenas de Multa (§ 3º)
O juiz pode deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a multa se, cumulativamente:
- O réu for primário e de bons antecedentes.
- Ter promovido, após o início da ação fiscal e antes da denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária e acessórios.
- OU, o valor das contribuições devidas, incluindo acessórios, seja igual ou inferior ao mínimo estabelecido administrativamente para ajuizamento de execuções fiscais.
Exceção: Esta faculdade não se aplica em casos de parcelamento de contribuições cujo valor total (com acessórios) seja superior ao mínimo para ajuizamento de execução fiscal (§ 4º).
Perguntas frequentes
O que caracteriza o crime de apropriação indébita previdenciária?
O crime ocorre quando o empregador, na qualidade de responsável tributário, desconta a contribuição previdenciária do empregado e deixa de repassar os valores ao INSS no prazo legal. Trata-se de um delito omissivo próprio que atinge o patrimônio público federal.
É possível a tentativa no crime de apropriação indébita previdenciária?
Não, o crime de apropriação indébita previdenciária não admite a tentativa. Por ser classificado como um crime omissivo próprio, a consumação ocorre no momento em que o agente deixa de realizar o repasse das contribuições devidas.
Como ocorre a extinção da punibilidade neste crime?
A punibilidade é extinta se o agente, de forma espontânea, declarar, confessar e efetuar o pagamento integral das contribuições antes do início da ação fiscal. O pagamento deve ser realizado antes de qualquer procedimento de fiscalização por parte do órgão competente.
O juiz pode conceder perdão judicial ao réu em casos de apropriação previdenciária?
Sim, o juiz pode deixar de aplicar a pena ou aplicar apenas multa se o réu for primário, tiver bons antecedentes e quitar o débito após a ação fiscal, mas antes da denúncia. Alternativamente, o perdão é possível se o valor devido for inferior ao mínimo para ajuizamento de execuções fiscais.

